cover
Tocando Agora:

Mãe Rainha das Trevas: quem é a feiticeira que ergueu estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no Ceará

Estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo é construída no Ceará Mãe Rainha das Trevas: é assim que se apresenta a feiticeira responsável pela construç...

Mãe Rainha das Trevas: quem é a feiticeira que ergueu estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no Ceará
Mãe Rainha das Trevas: quem é a feiticeira que ergueu estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no Ceará (Foto: Reprodução)

Estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo é construída no Ceará Mãe Rainha das Trevas: é assim que se apresenta a feiticeira responsável pela construção de uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo no Ceará. Ela tem quase 800 mil seguidores em seu perfil no Instagram, onde mostra os rituais que realiza e compartilha os preceitos da sua fé, a quimbanda (entenda mais abaixo). A obra monumental foi erguida no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, um templo religioso localizado na Taíba, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no litoral cearense. LEIA TAMBÉM: Estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo é construída no Ceará Feiticeira gastou R$ 100 mil com estátua em homenagem ao Diabo A feiticeira (função que ela exerce na quimbanda) não revela a sua idade, pois diz que é "mistério". Nas redes sociais, ela se apresenta como a 'Feiticeira dos políticos' e diz que é procurada por vários parlamentares - que têm um único pedido: ganhar uma eleição. Mãe Rainha das Trevas construiu a estátua em homenagem ao Diabo em uma propriedade na Taíba, no litoral do Ceará. Samuel Pinusa. O Palácio Estrela Negra da Quimbanda, onde ela mora, tem uma longa história, tendo completado 29 anos de fundação no dia 25 de julho - mesma data escolhida para a inauguração da estátua. Antes de se estabelecer na extensa propriedade na Taíba, a bruxa morou por 4 anos no bairro Montese, em Fortaleza, onde comandou um local conhecido como "Casa dos Caixões". Ela lembra que a casa era toda pintada de preto e abrigava quatro caixões. “Os comentários preconceituosos, eles não começaram na construção da maior imagem do Diabo no mundo. Eles começaram lá atrás, quando eu abri a Casa dos Caixões. Imagina uma casa, certo, numa comunidade, toda pintada de preto, com quatro caixões dentro, onde eu reverenciava a minha fé ao Diabo”, lembrou Mãe. ➡️ A quimbanda, prática pela qual ela guia seus seguidores, é descrita como um culto ancestral que busca a evolução espiritual, no qual a reencarnação é encarada como um maldição ou castigo a ser superado. Infográfico - Feiticeira ergue estátua em homenagem ao Diabo. Arte g1 “A verba foi toda tirada do meu próprio bolso" Para materializar a homenagem ao Diabo, a feiticeira desembolsou cerca de R$ 100 mil. Ela enfatiza o orgulho de ter arcado com todos os custos sozinha. O projeto foi encabeçado por um engenheiro civil e edificado inteiramente dentro de sua propriedade particular. “A verba foi toda tirada do meu próprio bolso. Eu fiz ela toda com dinheiro próprio, num local próprio, que é meu, porque aqui as terras são minhas, o terreno é meu”, declarou a bruxa Para evitar possíveis problemas, ela buscou todas as licenças cabíveis. A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante confirmou que o templo está em conformidade com as normas urbanísticas e ambientais, tendo recebido alvará e autorização inclusive do Governo do Estado (SEMA), já que a área se encontra em uma Área de Proteção Ambiental (APA). “Na parte burocrática, eu mesma fui atrás de toda a liberação da construção e obtive, como qualquer cidadã brasileira pode chegar a qualquer prefeitura de seu município e pedir uma autorização para fazer uma construção em suas terras”, explicou Mãe Rainha das Trevas. Enquanto grande parte da sociedade atribui um sentido pejorativo à figura do demônio, Mãe Rainha das Trevas possui uma visão acolhedora: “Eu falo o nome demônio com muito amor, pois os demônios são bons, os demônios ajudam". O seu palácio abre as portas para o público uma vez por mês durante as "giras" (rituais religiosos) e festas mensais, reunindo frequentemente entre 200 e 300 pessoas. A líder religiosa também promove a caridade, doando anualmente toneladas de carne das oferendas rituais e promovendo doações de centenas de brinquedos em outubro, no Dia das Crianças. Apesar dos ataques virtuais, ela disse que não possui receio de ter a estátua vandalizada. “Toda a minha comunidade sabe da minha fé, me respeita. Aqui nós mantemos muito a situação do respeito”, disse ao g1. Estátua em homenagem ao Diabo, construído na Taíba, região metropolitana de Fortaleza. Carlos Marlon/TVM ‘Culto marginalizado’ A quimbanda não é reconhecida como uma religião.. Assim como religiões de matriz africana, os fundamentos do culto são repassados de forma oral, sem um livro específico que rege as regras, tal como a Bíblia, o Alcorão e o Torá. “É um culto que, para muitos, é chamado de culto marginalizado, porque as pessoas têm uma certa visão da quimbanda, como se fosse um culto do mal”, comentou Barok, que é Tata N'ganga de Quimbanda brasileira. 💡 Tata N'ganga de Quimbanda é uma espécie de mestre ritualista, sacerdote supremo, na prática da Quimbanda. 'Tata’ significa "pai" ou sacerdote, na linhagem Congo-Angola. ‘N'ganga’ é o curador, feiticeiro, técnico de rituais ou mestre na manipulação de energias e espíritos ancestrais. Anteriormente, a quimbanda era vista como o “eixo ruim, do mal” da Umbanda. “E hoje, na verdade, a gente já entende que isso era uma mera história inventada, por pessoas que tinham um certo preconceito. A quimbanda é um culto ancestral no qual a gente busca evolução espiritual”, explicou Barok. O sacerdote disse que não existe um consenso sobre quando, onde e como a prática surgiu. “Até o nome dela foi tomado emprestado dos povos bantos, onde existiam os curandeiros das tribos, que se chamavam de ‘kimbanda’ [com a inicial 'k']; eram justamente os curandeiros daquelas aldeias, daquelas tribos, que faziam a arte da magia para curar”, reforçou o sacerdote. Um dos principais pilares do culto é a crença na reencarnação. No entanto, na quimbanda, esse processo é encarado como um “castigo espiritual”. “Como se fosse uma maldição, porque é um ciclo de que você morre, desencarna e você ainda volta pra essa terra, para ter que viver todo o mesmo processo de vida, onde você vai sentir dores, vai sentir emoções, vai sentir coisas ruins, vai sentir coisas boas”, detalhou Barok. “Nós, na quimbanda, procuramos evoluir nosso espírito dentro da religião para que nós não precisemos ter que voltar a este mundo. O nosso intuito é evoluir espiritualmente para que nós nos tornemos exus e pomba-giras, ou seja, para que a gente venha a ser agraciados no mundo espiritual”, complementou.